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Mioma é um tumor benigno bastante comum que cresce no útero durante a idade fértil da mulher. Estima-se que aproximadamente 80% das mulheres desenvolvam a doença em algum momento desse período, que se estende da puberdade até a menopausa. Como é durante esse período que a mulher pode engravidar, o mioma pode diminuir as chances de ter filhos.
O útero é um órgão muscular e oco, cuja função é abrigar o bebê em desenvolvimento até o nascimento. Morfologicamente, possui três camadas:
O mioma pode ocupar qualquer camada uterina e até invadir a cavidade do órgão. Dependendo de sua localização, pode comprometer a fertilidade e causar sintomas dolorosos, que interferem na qualidade de vida dessas mulheres. Assim, diagnosticá-lo é fundamental para avaliar as possibilidades terapêuticas e evitar consequências como infertilidade.
Continue a leitura até o final para saber como é feito o diagnóstico e o porquê da sua importância. Confira!

O mioma se forma a partir de uma única célula do miométrio, que se multiplica desordenadamente formando um tumor. Embora não tenha uma causa específica definida, alguns fatores de risco são comprovados. Veja:
A mulher pode ter apenas um mioma ou vários, classificados em três tipos principais, de acordo com a localização. O mioma localizado apenas no miométrio é denominado intramural; quando se projeta para o interior da cavidade uterina, próximo ao endométrio, recebe o nome de submucoso; já o que se projeta para o perimétrio, é chamado de subseroso.
O mioma mais associado à infertilidade feminina é o submucoso, pois pode comprometer o endométrio e a cavidade uterina, causando falhas na implantação do embrião e abortamento. Porém, o intramural também pode dificultar a gestação quando atinge tamanhos maiores, resultando em distorções anatômicas do útero. O subseroso também pode afetar a fertilidade, mas é uma situação menos comum.
Além de afetar a capacidade reprodutiva, o mioma submucoso pode provocar menorragia, aumento excessivo do fluxo menstrual, muitas vezes prolongado, sangramento e cólicas severas entre os períodos menstruais, enquanto o intramural pode provocar aumento do fluxo e intensificação das cólicas durante a menstruação.
O mioma subseroso, por sua vez, pode crescer e comprimir órgãos próximos, como a bexiga e o intestino, levando a alterações nos hábitos, incluindo micção frequente e urgente ou constipação cíclica. Além disso, como pode atingir grandes dimensões, pode provocar inchaço abdominal.
No entanto, nem todas as mulheres com mioma têm sintomas e isso pode atrasar o diagnóstico.
O diagnóstico de mioma é fundamental para a definição do tratamento mais adequado e para evitar maiores danos à saúde geral e reprodutiva. Nesse caso, os sintomas funcionam como um alerta.
A investigação começa pelo exame físico, durante o qual é possível perceber algumas alterações, como o aumento do volume uterino, mesmo quando a mulher não apresenta outros sintomas. Para confirmar a presença do mioma e definir sua localização, podem ser realizados diferentes exames de imagem.
Geralmente, o primeiro solicitado é a ultrassonografia transvaginal. Hoje, as imagens em alta definição, em 3D ou 4D, permitem indicar com bastante precisão informações como a localização e o número de tumores. Porém, se o resultado for inconclusivo, outros podem ser solicitados, como a vídeo-histeroscopia ambulatorial, que proporciona a visualização direta da cavidade uterina, e a ressonância magnética.
A vídeo-histeroscopia ambulatorial é o exame de preferência quando o quadro é de infertilidade. A técnica é realizada com a utilização de um histeroscópio, aparelho ótico inserido pela vagina que proporciona a iluminação adequada do espaço pesquisado e transmissão em tempo real das imagens para um monitor.
Miomas submucosos menores, por exemplo, podem ser removidos ainda durante o procedimento ambulatorial, prática conhecida na medicina como see and treat ou ver e tratar. Já a remoção de tumores maiores só pode ser feita pela modalidade cirúrgica da histeroscopia, realizada em ambiente hospitalar.
O procedimento, conhecido como miomectomia, também pode ser feito por videolaparoscopia quando o mioma é subseroso e tem dimensões maiores. A técnica também é minimamente invasiva, embora sejam feitos pequenos cortes no abdômen para inserção do laparoscópio e instrumentos cirúrgicos. As cicatrizes ficam praticamente invisíveis.
Nos casos em que o mioma provocou maiores danos à saúde reprodutiva ou se a mulher não conseguir engravidar após a remoção, a reprodução assistida é indicada.
A técnica de reprodução assistida indicada para infertilidade por fatores graves, incluindo danos provocados por mioma, é a fertilização in vitro (FIV), que reproduz duas etapas importantes da gravidez em laboratório: a fecundação e o desenvolvimento inicial dos embriões, posteriormente transferidos ao útero.
Antes da transferência, o endométrio é preparado por medicamentos hormonais semelhantes aos naturais, minimizando, dessa forma, o risco de falhas de implantação do embrião.
Assim, apesar de o mioma ser apontado como um dos principais fatores de infertilidade feminina, é possível engravidar na maioria dos casos com o tratamento adequado. Contudo, quanto antes o diagnóstico for realizado, menores serão as chances de danos.
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