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A endometriose tornou-se particularmente conhecida pelas mulheres no mundo todo por afetar milhares delas anualmente e ser apontada como uma das principais causas de infertilidade feminina.
Caracterizada pela presença de um tecido semelhante ao endométrio, que reveste internamente o útero, fora do órgão (principalmente na região pélvica), além de poder afetar a capacidade reprodutiva, a endometriose pode causar sintomas dolorosos e comprometer a qualidade de vida das portadoras. Porém, também pode ser silenciosa, por isso o diagnóstico pode demorar a ser feito.
A endometriose pode ser classificada morfologicamente em superficial, ovariana ou profunda. Qualquer uma pode ou não provocar sintomas, incluindo infertilidade.
Acompanhe a leitura até o final para saber o que é endometriose superficial e entender melhor a doença. Confira!
Descrita pela primeira vez no final do século XIX, a endometriose permanece até os dias atuais sem uma causa exata definida pela ciência. No entanto, existem algumas teorias, como a menstruação retrógrada de Sampson, que preconiza que parte da menstruação retorna pelas tubas uterinas e se fixa, principalmente, em pontos da região pélvica, como peritônio e ovários.
Já o desenvolvimento e a manutenção da doença estão associados à ação do estrogênio, hormônio responsável pelo preparo do endométrio durante o ciclo menstrual que também afeta o tecido endometrial ectópico (fora do útero), o que provoca a inflamação característica da doença.
A gravidez tardia, comum nas sociedades contemporâneas, é um dos fatores de risco da endometriose, uma vez que as mulheres ficam expostas por mais tempo ao estrogênio.
A localização e a profundidade dos focos da doença são os critérios utilizados para classificar a doença, e a endometriose superficial está entre os principais tipos morfológicos.

Endometriose superficial é a classificação que a doença recebe quando as lesões são planas e rasas e estão localizadas superficialmente no peritônio, membrana que recobre as paredes da cavidade pélvica e a superfície dos órgãos nela abrigados. Por serem rasas, não alteram a anatomia dos órgãos que afetam.
Quando atinge os ovários e forma endometriomas, a endometriose é classificada como ovariana e geralmente é associada a estágio moderado da doença.
Nos estágios mais avançados da doença, o tecido ectópico já invadiu diversos órgãos e se infiltrou profundamente, por isso passa a ser classificada como endometriose infiltrativa profunda.
Os sintomas podem surgir em qualquer estágio e os mais comuns são:
A doença também pode ser assintomática, o que dificulta o diagnóstico. No entanto, hoje, o conhecimento sobre endometriose está avançado e diagnósticos têm sido feitos mais rapidamente.
A endometriose superficial pode interferir na capacidade reprodutiva das mulheres de diferentes formas:
Ainda que seja uma doença crônica, por ser estrogênio-dependente a endometriose tende a regredir após a menopausa, quando os níveis do hormônio são naturalmente mais baixos, bem como é possível controlar os sintomas ou obter a gravidez com o tratamento adequado, de acordo com o desejo da mulher de engravidar no momento.
Em mulheres com endometriose superficial assintomáticas, geralmente a conduta é apenas expectante, com observação periódica do quadro. Já para as que relatam sintomas e não pretendem engravidar podem ser prescritos medicamentos hormonais que suspendem a menstruação, o que minimiza a ação do estrogênio e, assim, alivia os sintomas.
Mulheres que desejam engravidar, por outro lado, podem contar com a reprodução assistida. Duas técnicas podem ser indicadas se o diagnóstico for de endometriose superficial: relação sexual programada (RSP), também conhecida como coito programado, e fertilização in vitro (FIV).
A RSP só pode ser indicada para mulheres com até 37 anos, idade em que a reserva ovariana ainda é considerada boa, e têm as tubas uterinas permeáveis (abertas), uma vez que a fecundação acontece nelas, como na gestação natural.
Mulheres acima dessa idade ou com baixos níveis de reserva ovariana ou outros problemas de infertilidade associados, como obstruções tubárias, recebem indicação de FIV, técnica mais complexa em que a fecundação e o desenvolvimento inicial dos embriões acontecem em laboratório.
Hoje, a indicação cirúrgica não é a primeira escolha. Inicialmente, é importante tentar controlar a doença com medicamentos e outras estratégias. Ainda assim, há casos em que a cirurgia pode ser indicada já quando o diagnóstico é feito.
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