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DIP: o que é? Saiba identificar a doença

Por Prof. Dr. Gustavo André

Os órgãos reprodutores femininos são, basicamente, o útero, os ovários, as tubas uterinas e a vagina. Cada um desempenha um papel fundamental para a gravidez ser bem-sucedida.

Desde a puberdade, com o início dos ciclos menstruais, por exemplo, processo em que diversas alterações fisiológicas preparam o corpo feminino para uma possível gravidez, os ovários passam a liberar um óvulo por ciclo para ser fecundado pelo espermatozoide.

O óvulo é captado pelas tubas uterinas, órgãos que abrigam a fecundação e são responsáveis pelo transporte dos gametas (óvulos e espermatozoides) para esse evento acontecer: quando se fundem, geram a primeira célula do embrião, o zigoto, que sofre sucessivas divisões celulares enquanto é transportado ao útero.

O embrião chega ao útero aproximadamente no quinto dia de desenvolvimento, no estágio de blastocisto, fase em que se implanta no endométrio, camada uterina interna, para dar início à gravidez. No útero, permanece abrigado e passa a ser denominado feto a partir da 8ª semana, nomenclatura que recebe até o nascimento.

Qualquer alteração na função dos órgãos reprodutores, portanto, pode resultar em infertilidade feminina. A DIP é uma condição que pode comprometer um desses órgãos ou todos, dependendo da gravidade do quadro.

Para saber o que é DIP e como identificar a doença, é só continuar a leitura até o final. Confira!

O que é DIP?

DIP significa doença inflamatória pélvica, condição que pode causar a inflamação de todos os órgãos reprodutores localizados na cavidade pélvica, por isso a denominação da doença, que está fortemente associada à infertilidade feminina.

É causada principalmente por bactérias, particularmente as sexualmente transmissíveis, como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, embora outros agentes transmitidos pelo contato sexual sejam também associados a alguns casos, incluindo Trichomonas vaginalis e Mycoplasma genitalium.

Assim, as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), cuja transmissão ocorre pelo contato sexual desprotegido com pessoas contaminadas, se tornam a principal causa da DIP, ainda que mais raramente procedimentos médicos como a colocação de DIU (dispositivo intrauterino) ou parto normal possam provocar infecções e causar a doença.

Os agentes invadem os órgãos reprodutores pelo canal vaginal. Geralmente, o primeiro a ser afetado é o útero, provocando cervicite, inflamação do colo uterino e endometrite. Posteriormente, se espalham para as tubas uterinas, salpingite e ovários.

A identificação precoce da DIP é a melhor forma de evitar danos à capacidade reprodutiva. Além disso, em casos extremos, quando os processos inflamatórios não são adequadamente tratados, as bactérias podem se espalhar pela corrente sanguínea, levando a complicações mais sérias, como septicemia, que é a infecção generalizada do organismo.

Saiba como identificar a DIP

Além da infertilidade, um dos principais sintomas da doença, a DIP pode causar outros que funcionam como um alerta, contribuindo para que diagnóstico e tratamento sejam feitos precocemente.

Um dos mais marcantes é a dor pélvica crônica, que pode ser aguda ou difusa e estar presente em qualquer momento do ciclo menstrual, não apenas durante a menstruação.

Outros sintomas, característicos de ISTs como clamídia e gonorreia, principal causa da DIP, também podem estar presentes. Os mais comuns são sangramento entre os períodos menstruais, corrimento vaginal com odor forte e em maior volume, dor durante as relações sexuais (dispareunia), micção urgente e frequente e febre baixa.

Infertilidade por DIP

Cervicite e endometrite podem comprometer o preparo adequado do endométrio durante o ciclo menstrual. Para receber um possível embrião, essa camada uterina formada por tecido epitelial, glândulas e estroma se torna mais espessa e vascularizada, o que vai permitir a troca de nutrientes com a mãe até a placenta ser formada e assumir essa função. O preparo inadequado pode resultar em falhas de implantação e abortamento.

A perda da gravidez pode ser ainda provocada por aderências resultantes do processo inflamatório, que causam distorções na anatomia do útero dificultando ou impedindo a sustentação da gravidez.

Nas tubas uterinas, a inflamação pode causar obstruções e impedir a fecundação como consequência da formação de aderências ou da hidrossalpinge, que é o acúmulo de líquidos no interior das tubas.

Nos ovários, afeta o desenvolvimento e amadurecimento dos folículos ovarianos, podendo levar a distúrbios ovulatórios, como oligovulação, ovulação irregular e anovulação (ausência de ovulação).

No entanto, apesar de todas as consequências da DIP, o tratamento é bastante simples, assim como a gravidez pode ser obtida na maioria dos casos.

Tratamento e reprodução assistida

A primeira via de tratamento da DIP é a administração de antibióticos, prescritos de acordo com o tipo de bactéria indicado por exames de sangue, urina ou análise de secreções. Mulheres que desejam engravidar podem posteriormente ser submetidas a cirurgia ou a tratamentos de reprodução assistida.

Duas técnicas de reprodução assistida auxiliam a gravidez nos casos em que a DIP provoca danos à saúde reprodutiva: relação sexual programada (RSP) e fertilização in vitro (FIV).

Na RSP, que é de baixa complexidade, a fecundação acontece naturalmente, nas tubas uterinas. Por isso, é indicada para quadros menos severos, em que a infertilidade ocorre como resultado de distúrbios ovulatórios mais leves.

Mulheres com danos mais graves, por outro lado, podem contar com a FIV, técnica de alta complexidade que prevê a fecundação e o desenvolvimento inicial dos embriões formados em ambiente laboratorial, posteriormente transferidos diretamente ao útero materno.

A indicação da abordagem mais adequada para cada paciente é feita de forma individualizada, a partir da realização de diferentes exames de imagem que permitem avaliar a extensão dos danos.

Aproveite para compartilhar esse texto nas redes sociais e informar aos seus amigos o que é DIP e como identificar essa doença que pode causar diferentes alterações na saúde reprodutiva das mulheres!

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2026 ©Todos os direitos reservados. O conteúdo deste blog foi elaborado pelo Dr. Gustavo André e as informações aqui contidas têm caráter meramente informativo e educacional. Não devem ser utilizadas para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico, somente ele está habilitado a praticar o ato médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina. Todas imagens contidas no blog são meramente ilustrativas e foram compradas em banco de imagens, não envolvendo imagens de pacientes.

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