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Anovulação e infertilidade: conheça em detalhes por que essa relação existe

Por Prof. Dr. Gustavo André

Os óvulos são as células sexuais femininas, também chamadas de gametas, que contêm os genes da mulher. Começam a ser formados ainda durante o desenvolvimento embrionário, aproximadamente no terceiro mês da gravidez.

Nesse processo, denominado ovulogênese, as ovogônias, células precursoras dos gametas femininos, sofrem mitoses, divisões celulares que resultam na formação de duas células geneticamente idênticas à original.

Logo após o nascimento, a mitose é interrompida: as ovogônias param de se dividir, crescem, duplicam seus cromossomos, estrutura que armazena os genes, e iniciam a meiose, nova divisão celular em que há formação de quatro células-filhas com metade do número de cromossomos da célula-mãe, quando passam a ser chamadas de ovócitos ou óvulos primários.

Desde o nascimento, portanto, a mulher já possui um estoque de óvulos conhecido como reserva ovariana. Os óvulos primários ou imaturos ficam armazenados nos folículos ovarianos, situados na parte externa dos ovários, o córtex. Existem mais de 1 milhão ao nascimento, porém uma grande parte é perdida até a puberdade.

A mulher chega à puberdade com aproximadamente 400 mil óvulos. Nessa fase, os ciclos menstruais têm início com a primeira menstruação e eles passam a ser utilizados, possibilitando a concepção. O estoque se esgota na menopausa, quando os ciclos menstruais se encerram com a última menstruação.

Uma das principais fases do ciclo menstrual é a ovulação, quando o óvulo é liberado por um dos ovários, já maduro, após finalizar a meiose.

Durante a idade fértil, entretanto, algumas condições podem interferir nesse processo, resultando em anovulação, causa comum de infertilidade feminina. Continue a leitura até o final e saiba em detalhes por que isso acontece. Confira!

Ciclo menstrual e ovulação

O ciclo menstrual é um processo cíclico, que ocorre continuamente, cujo início é marcado pela menstruação. É coordenado por diferentes hormônios, orientado pelo eixo hipotálamo-hipófise-gônadas. As gônadas são os ovários, as glândulas sexuais das mulheres.

Na primeira fase, denominada folicular, vários folículos crescem, mas apenas um se destaca, amadurece o suficiente e se rompe para liberar o óvulo que está em seu interior, também maduro, determinando a ovulação, segunda fase do ciclo, que ocorre aproximadamente no 14º dia de um ciclo menstrual regular de 28 dias.

O óvulo liberado é captado por uma das tubas uterinas e sobrevive por cerca 24 horas. É durante esse período que pode haver o encontro com o espermatozoide, gameta masculino, que pode penetrá-lo para formar a primeira célula do embrião, estágio inicial de desenvolvimento do futuro bebê.

Embora apenas nessa curta janela de tempo a gravidez seja possível, a janela de fertilidade é maior, pois considera também o tempo de sobrevida do espermatozoide, que é cerca de 72h no sistema reprodutor feminino. Assim, os três dias que antecedem a ovulação e o posterior definem o período fértil das mulheres.

O que é anovulação?

Anovulação, como o nome indica, é a ausência de ovulação. Isso significa que os ovários não liberam nenhum óvulo durante os ciclos menstruais, inviabilizando, dessa forma, a fecundação e, consequentemente, a gravidez. Pode ser causada por diferentes condições, incluindo:

  • problemas no hipotálamo;
  • problemas na hipófise;
  • síndrome dos ovários policísticos (SOP).

Na primeira fase do ciclo, o hipotálamo libera o GnRH, hormônio liberador de gonadotrofinas, que estimula a hipófise a liberar as gonadotrofinas FSH (folículo-estimulante) e LH (hormônio luteinizante. Alterações, portanto, podem levar ao desequilíbrio hormonal.

O FSH atua no crescimento dos folículos ovarianos e o LH, no desenvolvimento, amadurecimento e rompimento do folículo dominante, estimulando, ao mesmo tempo, as células da teca, que compõem sua parte externa, a produzir testosterona, convertida pelo FSH em estrogênio, hormônio que promove o espessamento do endométrio, camada interna uterina na qual o embrião se implanta para dar início à gestação.

A SOP, por sua vez, é a condição mais associada à anovulação e bastante frequente durante a idade fértil. Ela provoca um aumento na produção de testosterona (hiperandrogenismo), interferindo no processo de desenvolvimento e amadurecimento do folículo dominante e, dessa forma, na ovulação. Uma de suas características é, inclusive, a anovulação crônica.

No entanto, ainda que a anovulação seja uma causa comum de infertilidade feminina, a gravidez pode ser conquistada com a reprodução assistida, cujas técnicas são consideradas o tratamento padrão para infertilidade.

Reprodução assistida

Quando a mulher quer engravidar e tem diagnóstico de SOP ou anovulação de forma geral, o tratamento mais indicado é a fertilização in vitro (FIV), principal técnica de reprodução assistida.

Na FIV, a fecundação é realizada em laboratório por ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide), método em que cada espermatozoide é injetado individualmente em cada óvulo disponível.

Para coletar os óvulos que vão se ser utilizados, a mulher passa pela estimulação ovariana, técnica em que a função dos ovários é estimulada por medicamentos hormonais. Dessa forma, mais folículos se desenvolvem e, consequentemente, mais óvulos amadurecem.

Exames de ultrassonografia periódicos indicam o momento em que os folículos atingem o auge do desenvolvimento. Novos medicamentos são então administrados para induzi-los ao amadurecimento final e rompimento.

A ovulação ocorre em aproximadamente 36 horas, mas a coleta dos óvulos deve ser feita um pouco antes disso. É feita por aspiração folicular e os óvulos extraídos são selecionados em laboratório. Assim, apenas os melhores são fecundados.

Os embriões formados são transferidos diretamente ao útero após se desenvolverem por alguns dias, período chamado de cultivo embrionário. Os percentuais de sucesso gestacional proporcionados pela FIV são os mais altos da reprodução assistida.

Agora que você já sabe porque a anovulação pode causar infertilidade, aproveite para compartilhar esse texto nas redes sociais e informar também aos seus amigos!

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2026 ©Todos os direitos reservados. O conteúdo deste blog foi elaborado pelo Dr. Gustavo André e as informações aqui contidas têm caráter meramente informativo e educacional. Não devem ser utilizadas para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico, somente ele está habilitado a praticar o ato médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina. Todas imagens contidas no blog são meramente ilustrativas e foram compradas em banco de imagens, não envolvendo imagens de pacientes.

Diretor Técnico: Dr. Gustavo Mendonça André • CRM 117.125 • RQE 27136

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