Especialista em Medicina Reprodutiva | WhatsApp
Dentre as doenças que podem afetar as mulheres durante a fase reprodutiva, a endometriose se destaca atualmente como a mais prevalente no mundo todo. A endometriose é uma doença estrogênio-dependente, ou seja, se desenvolve pela ação do hormônio.
Principal hormônio feminino, o estrogênio tem uma função essencial no ciclo menstrual: tornar o endométrio, tecido que reveste o útero internamente, adequado para receber um possível embrião formado na fecundação, aumentando, para isso, sua espessura e vascularização. Nessa camada uterina ele se implanta para dar início à gestação.
A endometriose, por sua vez, tem como característica o crescimento de um tecido semelhante ao endométrio fora do útero, normalmente em locais próximos, como o peritônio, membrana serosa que recobre as paredes da cavidade pélvica e a superfície dos órgãos nela abrigados, incluindo os ovários, as tubas uterinas e o intestino, que podem ser comprometidos superficialmente ou mais profundamente.
Endometriose intestinal é um dos tipos da doença, e, assim como os outros, pode causar sintomas, muitas vezes dolorosos, que comprometem a qualidade de vida das mulheres portadoras e, em diversos casos, a fertilidade.
Acompanhe a leitura do texto até o final para saber em detalhes o que é endometriose intestinal e como reconhecer os sintomas que alertam para a presença da doença. Confira!

Endometriose intestinal é o termo clínico utilizado para denominar a doença que afeta o intestino, particularmente as porções finais do intestino grosso localizadas na cavidade pélvica, o cólon sigmoide e o reto.
A teoria mais aceita para explicar a endometriose, sem causa exata definida pela ciência, é a da menstruação retrógada, proposta pelo ginecologista norte-americano Albert Sampson no final da década de 1920.
Durante os ciclos menstruais, se não houver fecundação, ocorre um rebaixamento dos níveis hormonais, provocando a descamação do endométrio e a menstruação, em que são eliminados os fragmentos desse tecido com o sangue menstrual. Segundo Sampson, quando o fluxo menstrual retorna pelas tubas uterinas em vez de sair pelo útero, as células endometriais podem se implantar em outros locais e levar ao desenvolvimento da doença.
Outra teoria, a da metaplasia celômica, sugere que as células que originaram o endométrio e o tecido germinativo ovariano permanecem no peritônio e são transformadas em tecido ectópico por metaplasia, quando um tipo celular é substituído por outro, processo estimulado pela ação de hormônios e por fatores imunológicos.
Também há influência da genética na ocorrência de endometriose, o que pode ser comprovado pela alta incidência da doença em parentes de primeiro grau de mulheres portadoras.
À medida que a doença se desenvolve, as células formam lesões que tendem a se infiltrar mais profundamente nos órgãos afetados, resultando na manifestação de diferentes sintomas. A infertilidade é um dos principias sintomas e pode estar presente mesmo quando a doença é superficial, inclusive na endometriose intestinal.
A dor pélvica crônica é o sintoma mais comum da endometriose. Pode ocorrer independentemente da localização do tecido ectópico e é facilmente percebida pelo aumento da intensidade das cólicas antes e durante a menstruação, o que é chamado de dismenorreia secundária. Se a doença não for adequadamente tratada, passa a estar presente também em outros momentos do ciclo menstrual.
Os sintomas específicos da endometriose intestinal tendem a ser mais intensos durante o período menstrual. Os mais comuns são:
Sintomas surgem como consequência de um processo inflamatório provocado pela presença do tecido ectópico. Assim, mesmo quando as lesões estão localizadas apenas no peritônio intestinal, essa inflamação pode comprometer o preparo do endométrio, resultando em falhas na implantação do embrião e abortamento.
O desenvolvimento e amadurecimento dos folículos ovarianos, estruturas que contêm os óvulos imaturos, pode ser igualmente comprometido, provocando distúrbios ovulatórios como oligovulação, ovulação irregular e anovulação (ausência de ovulação). Durante os ciclos menstruais, vários folículos são recrutados e crescem. Um deles se destaca, se desenvolve e amadure o suficiente, liberando seu óvulo na ovulação.
Por outro lado, normalmente, a endometriose em estágios avançados ocorre simultaneamente em vários órgãos além do intestino, incluindo os ovários e tubas uterinas, prejudicando a capacidade reprodutiva de diferentes formas.
Apesar de ser uma doença crônica, observar os possíveis sintomas é um importante recurso para diagnóstico e tratamento precoces, evitando maiores danos à saúde geral e reprodutiva.
O tratamento da endometriose pode ser medicamentoso e/ou cirúrgico. Se a mulher tiver intenção reprodutiva, pode recorrer à reprodução assistida também. A melhor conduta depende dos desejos da mulher.
A reprodução assistida é um dos principais recursos para mulheres com endometriose engravidarem. Existem três técnicas que podem ser indicadas: relação sexual programada (RSP) ou coito programado, inseminação artificial (IA) ou inseminação intrauterina (IIU) e a fertilização in vitro (FIV). A indicação depende da investigação personalizada da infertilidade, tanto da mulher como do homem.
Compartilhe esse texto nas redes sociais e informe aos seus amigos sobre endometriose intestinal e os sintomas que ajudam a suspeitar da doença!