Especialista em Medicina Reprodutiva | WhatsApp
Ainda que durante muito tempo os problemas de fertilidade fossem atribuídos apenas às mulheres, sabe-se hoje que a infertilidade conjugal pode ser provocada igualmente por fatores femininos ou masculinos, isoladamente ou em associação. Os masculinos, inclusive, muitas vezes são percentualmente mais altos.
Por isso, quando há dificuldades para engravidar por um ano ou mais sem o uso de nenhum método contraceptivo, período que caracteriza infertilidade, tanto o homem como a mulher devem ser investigados, o que indica a necessidade de o homem acompanhar a mulher em todas as consultas com o especialista, inclusive na primeira, ocasião em que é feita a anamnese, entrevista inicial com avaliação do histórico clínico pessoal e familiar.
A infertilidade masculina geralmente é resultado de alterações na espermatogênese, processo de produção dos espermatozoides, ou de bloqueios que impedem o transporte para fecundarem o óvulo.
Os espermatozoides são as células sexuais ou gametas dos homens, que contêm suas informações genéticas. Um espermatozoide completo tem três partes: a cabeça, em que fica armazenado o núcleo com os genes, peça intermediária e cauda ou flagelo, que possibilita o movimento progressivo.
Para que haja uma boa chance de fecundação do óvulo, é essencial que os espermatozoides estejam saudáveis, porque alterações estruturais também podem resultar em infertilidade masculina.
Hoje, entretanto, com o avanço tecnológico, as técnicas de reprodução assistida permitem que homens inférteis também tenham filhos biológicos, independentemente da gravidade do quadro. A FIV, técnica mais avançada, é a principal opção. Acompanhe a leitura até o final para saber mais. Confira!
A espermatogênese acontece nos testículos, em estruturas enoveladas localizadas nos lóbulos testiculares denominadas túbulos seminíferos. Posteriormente, os espermatozoides finalizam o amadurecimento nos epidídimos, ductos em que permanecem armazenados até que ocorra o estímulo sexual, quando são transportados aos ductos deferentes, ejaculatórios e uretra para serem ejaculados.
Nesse trajeto, são incorporados aos líquidos que formam o sêmen, produzidos pelas vesículas seminais, próstata e glândulas bulbouretrais.
O primeiro exame solicitado para investigar a fertilidade dos homens é o espermograma, que analisa características do sêmen dos gametas masculinos, apontando resultados como oligozoospermia, baixa concentração de espermatozoides nas amostras, e azoospermia, ausência total, causas comuns de infertilidade masculina, bem como indica percentualmente anormalidades estruturais: na morfologia (forma) e motilidade (movimento).
Entre as causas comuns que podem resultar nesses diagnósticos, estão os processos inflamatórios, como orquite e epididimite, geralmente provocados por infecções sexualmente transmissíveis, como clamídia e gonorreia.
A varicocele, doença masculina bastante frequente, também compõe a lista. Tem como característica a formação de varizes no cordão espermático, que sustenta os testículos na bolsa testicular, responsável por abrigá-los e mantê-los na temperatura adequada para a espermatogênese, abaixo da corporal. As varizes provocam alterações nesta temperatura, comprometendo consequentemente a produção dos gametas masculinos.
Além do espermograma, podem ser solicitados ainda exames de imagem para investigar ou confirmar as possíveis causas, como a ultrassonografia da bolsa testicular com ou sem a utilização de Doppler.
Na maioria dos casos, a melhor opção para o tratamento da infertilidade masculina é a FIV (fertilização in vitro). Os casos mais simples, como pequenas alterações nos gametas, também podem ser solucionados pela inseminação artificial (IA), em que os melhores espermatozoides são selecionados pelo preparo seminal, inseridos em um cateter e depositados no útero da parceira durante seu período fértil.

Na FIV, a fecundação é realizada em laboratório, precedida da coleta e seleção dos melhores óvulos e espermatozoides.
Para selecionar os espermatozoides, são coletadas amostras de sêmen, que são submetidas ao preparo seminal, técnica que os capacita por diferentes métodos, possibilitando, assim, que apenas os mais saudáveis participem da fecundação, contornando os problemas de má qualidade.
Embora os espermatozoides sejam produzidos durante toda a vida do homem, desde a puberdade, também perdem qualidade com o envelhecimento e podem ser afetados por doenças e condições.
A fecundação é feita por ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide), técnica que permite solucionar os problemas de infertilidade masculina de maior gravidade.
Na ICSI, cada espermatozoide é novamente avaliado por um microscópio de alta magnificação e inserido diretamente no citoplasma do óvulo por um micromanipulador de gametas, aumentando as chances de sucesso, inclusive quando há baixa concentração no sêmen, condição chamada de oligozoospermia.
Em homens com azoospermia, por outro lado, podem ser recuperados diretamente dos epidídimos ou testículos por técnicas de recuperação espermática, submetidos ao preparo seminal e usados na fecundação.
Os embriões formados na fecundação se desenvolvem por alguns dias em incubadoras e são posteriormente transferidos diretamente ao útero materno.
A FIV registra os percentuais de sucesso gestacional mais altos da reprodução assistida, em média 50% por ciclo de tratamento, mas depende principalmente da idade da mulher.
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